Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Alessandro o despatriado pelo coletivo

Alessandro o despatriado pelo coletivo

29.10.18

A pátria me despatriou

Alessandro C

São 21 horas no suburbio distante do Rio de Janeiro, estou caminhando na chuva que cai de forma fria, lenta e fina. Um carro passa com o som bem alto, daqueles que ignoram o que é decibés. Por pura ignorância mesmo, de desconhecer o cenceito da medida. A música diz que as meninas de direita são lindas e cheirosas e as de esquerdas cabeludas como uma cadela. 

Mais da metade dos meus conterrâneos ignoram, por não saber mesmo, o significado da palavra respeito. Isso tomou mais forma e grau com o avanço da cultura americana de rap, de liberdade de expressão que foi convertida em funk na nossa cultura. 

Não dá pra cobrar algo que a pessoa não aprendeu. E como arguir trigonometria para uma criança, ela não vai saber. Faz parte também da nossa cultura não se aprofundar muitos nos assuntos. Mesmo que esses assuntos sejam diretamente ligados ao cotidiano de nossa casa, como respeito.

Eu particularmente não sei como eu aprendi certos conceitos. Minha educação era revisada apenas aos fins de semana, pois minha mãe trabalhava a milhas de distância de casa e saía enquanto estavamos dormindo e voltava quando estavamos dormindo. Inclusive o recentemente eleito presidente do meu país, diz que filhos criados sem pais vão ser gays. Lá em casa ele acertou apenas 33%.

Agradeço os anjos que me instruiram em sonhos, ao menos acho essa uma explicação plausível, por eu aprender tais conceitos.

Passamos por um momento muito delicado no Brasil no que compreende a palavra respeito e outras coisas muito mais importantes. 

A campanha do candidato que eu era contrário, foi toda baseada no desrespeito. Mais eu não consideraria grave se não fosse o fato de ele encontrar pessoas que se indentificam com a combinação de palavras dele e também a entonação atribuída. 

Além das falas de desrespeito, tem as mentiras, que ganharam o novo rótulo moderno de #fakeNews.

E ele ganhou, por 55 por cento, isso pra mim significa que a cada 20 pessoas que eu conheço, 11 se identificam com a forma de pensar dele.

Esta eleição me fez perder minha mãe. Não ela não morreu, mas ela perdeu o discernimento do que é certo ou errado, mesmo frequentando a igreja evangélica todo o domingo.

Será que o mandamento: -Não matarás, ficou demodê.

Bem voltando as perdas... 

Perdi familiares, respeito de amigos, sentimento de admiração que eu tinha de amigos, emprego, renda, direitos e também sentido.

Mas agradeço pois ganhei também de outras pessoas, mais respeito, admiração e sentido.

Tenho 41 anos, e acho que ainda posso recomeçar. E decidi que é melhor ir pra um lugar onde o IDH seja mais compensador, eu aprendo rápido e aprendi o que é gentileza, respeito e senso de coletividade, melhor que 55% dos meus colegas.

Pretendo aqui contar a minha saga, de recomeçar, se tentar subir um degrau. Seja no próprio Brasil, seja no Chile, Portugal ou qualquer lugar que aceite uma pessoa disposta  a ajudar a fazer o dia-a-da ser mais agradável.

Neste momento estou devastado, mas vou me encolher nas cobertas, lamber minha feridas até amanhã e procurar novos horizontes.

 

 

 

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D